No início daquele ano, quando eu ia completer
13 anos, perdi uma das pessoas mais queridas: minha avó Ofélia.
E neste mesmo ano, em 16 setembro,
menos de um mês para o meu aniversário, perdi minha outra avó, a Diva.
Foram perdas muito dolorosas. Eu só
sabia chorar...
Eram muito próximas e muito queridas
por mim. Lembro-me da vó Ofélia fazendo pudim de leite pra mim, no maior
capricho e a vó Diva me levando passear de bicicleta pelo bairro, todo santo
dia. Ela se esforçava pra caminhar apressada me acompanhando...
Quantas saudades!
Um pouquinho antes da vó Diva partir,
ela me chamou e disse que queria o melhor para mim e para isso, ela e a vó
Ofélia tinha feito economia ao longo dos anos, quando eu nem ainda era um
projeto de gente. Elas sempre sonharam em um dia, terem uma netinha e assim,
guardaram o máximo que puderam, de suas rendas, numa poupança na caixa federal
que eu poderia sacar só quando eu ficasse maior de idade.
No dia meu aniversário de 13 anos eu
não quis nenhuma festa. Meu pais me deram cada um R$10,00 e me disseram pra
gastar no que eu quisesse! Eu peguei a minha bike e fui correndo pra padaria e
comprei tudo em pudim de leite mas nem assim, a dor da saudade me deixou!
Quando chegou o novo ano vi meus pais
comprarem carros novos, viajarem pro exterior em segunda lua de mel, vi minha
mãe decorar a casa, meu pai andar mais alinhado...
Depois, todo mês eles me davam uma
mesadinha que dava pra eu comprar doces! Eu sempre adorei açúcar! E assim até
eu começar a trabalhar!
Aos 15 anos, fiquei muito doente, fui
atendida no posto de saúde, demorou pra conseguir exames e consulta em
especialista, o caso se complicou e passei por cirurgia de emergência.
Infelizmente no hospital peguei uma infecção hospitalar, quase fui à óbito no lugar
do corte e sutura da cirurgia ficou uma cicatriz horrível por causa de infecção
que impediu a cicatrização, da cirurgia que tive que refazer e da sutura feita
de qualquer maneira.
Sofri muito!
Aos 16 anos meus pais se separaram,
meu pai comprou outra casa e foi morar com uma namorada. Arranjei um emprego
numa fábrica, com um salário muito ruim mas fazer o quê, né? Eu precisava me
virar, sobreviver!
O tempo passou: eu estudei em escola
pública, nunca consegui ser aprovada na escola técnica, nem mesmo no vestibular
que eu queria! O ensino foi “fraco”e os alunos de escolas particulares
conseguiam a vaga que eu precisava.
Foi aos 17 anos que eu engravidei e
fui abandonada pelo rapaz que dizia que me amava e que a vida dele era eu!
Um pouco antes do bebê nascer, eu fiz
18 anos. Tantas coisas eu precisava pro bebê! Foi aí que eu me lembrei da
poupança que minhas avós tinham feito para mim, com tanto sacrifício!
Fui até uma agência, cheia de
esperanças!
E foi aí que eu tive uma grande
surpresa: no mesmo ano da morte de minhas avós, meus pais tinham sacado todo o
montante!
Parece que um filme rodou na minha
mente: as constantes viagens dos meus pais, suas roupas novas, seus passeios
(que eu nem ia porque era criança e ia atrapalhar!), os carros novos...
Eu liguei pra minha mãe (já que do
meu pai eu nem tinha mais notícia) e ela se limitou a me dizer que eu não tinha
do que reclamar, afinal, “todo mês eles me davam um dinheirinho pro doce”...
Eu fiquei desolada, perdida, sem
chão: eu confiava tanto neles!
Ele me deram esmolas enquanto, sem eu
saber, me levaram muito, mais muito mais!
Usufruíram de tudo, disperdiçaram
tudo que era meu, enquanto eu fiquei com as migalhas!
Eu poderia ter estudado em escola
particular, e ter conseguido me graduar em Arquitetura, que era o meu sonho!
Poderia ter sido bem tratada com
convênio médico ou clínica particular, e não ter corrido tantos riscos e dores!
Poderia ter conhecido outros lugares,
viajado, estudando outras línguas e até me vestido melhor!
Poderia ter comprado os brinquedos
que sempre quis ter e não precisar trabalhar pra ganhar tão pouco!
Daí hoje, perto do segundo turno das eleições eu
vejo o discurso do PT e lembro da minha própria história de vida.
E só posso concluir o seguinte: de
que adianta bolsa isso, bolsa aquilo, incentivo isso, incentivo aquilo, cotas
pra isto ou pra aquilo?
De que adianta, pras pessoas, pra mim
e pro meu filho, essas migalhas ou esmolas, quando, por trás, roubam nosso
futuro e nosso tempo presente?
O sofrimento e a morte se faz com uma
arma: a corrupção!
E esta, eu odeio!
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